Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine. Tutum silentium praemium.

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ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 05/06/2015

De volta para a amada
Xerife, cachorro de rua que havia desaparecido na Cidade Nova, retorna à rua do Prado onde vive a cadela com quem teve 10 filhotes. Dona do imóvel vai tentar ficar com o cão

Xerife, Olívia e filhotes em casa da Rua Turquesa: dona do imóvel quer que eles fiquem juntos, mas brigas com outro cachorro atrapalham (Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

Novo capítulo do romance entre Xerife ou Lord Voldemort e Olívia Palito. Depois de quatro dias sem ser visto na Rua Turquesa, esquina com a Avenida Francisco Sá, no Bairro Prado, na Região Oeste de Belo Horizonte, o cachorro de rua voltou a cortejar a cadela e sua ninhada de filhotes. Como mostrou o EM na semana passada, Xerife costuma ficar deitado no passeio em frente à casa onde vive Olívia, que deu à luz no mês passado 10 filhotes do casal.

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Xerife desapareceu, na última terça-feira, quando foi levado a um veterinário na Avenida José Cândido da Silveira, no Bairro Cidade Nova. Pelo menos sete quilômetros separam o local onde ele desapareceu e a casa no Prado. Mas, mesmo com toda a distância, o cachorro voltou à Rua Turquesa. Por volta de 8h30 de ontem, os vizinhos viram Xerife se aproximar do portão da casa de Olívia.

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“Ele veio sozinho. Achou o caminho por conta própria, sem ajuda de ninguém”, disse a aposentada Cleusa de Azeredo Coutinho, de 69 anos, que mora no imóvel. “Hoje, eles já deram um beijinho de focinhos, mas Xerife é bem arisco”, completou. No dia em que Xerife desapareceu, Tatiana de Azeredo Coutinho, filha de Cleusa, rodou a vizinhança do petshop por três horas para tentar encontrá-lo, mas não conseguiu. A jovem adotou Olívia e também é a dona de Kurt Cobain, outro cachorro que vive na casa.
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No regresso, Xerife chegou de vagar e com receio. Foi preciso que Tatiana colocasse comida para encorajá-lo a atravessar a rua e se aproximar. Quando Olívia apareceu, ele ficou mais à vontade e, minutos depois, estava dentro da casa com a cadela e a ninhada de filhotes.
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Futuro O destino dos dois é incerto. Depois de o EM publicar a história, uma mulher de Juiz de Fora se interessou em adotá-lo. Tudo caminhava bem até Xerife desaparecer. O tempo em que esteve sumido fez com que a interessada e a própria Tatiana avaliassem que não é boa ideia separá-lo de Olívia. O desejo de Tatiana é que, em caso de adoção, os dois possam seguir juntos.

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A rivalidade entre Xerife e Kurt Cobain é o maior empecilho para que ele possa viver sob o mesmo teto de Olívia. No regresso, os dois voltaram a se estranhar, demonstrando que falta muito para uma boa convivência. “Vamos ver se conseguimos ficar com os dois juntos. Estamos olhando um adestrador para que ele possa conviver com o Kurt”, contou Tatiana.
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Linha do tempo
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29 de maio – O EM publica reportagem sobre o romance de Olívia Palito e Xerife, ou Lord Voldemort. Havia três meses o cachorro passava boa parte do tempo no portão da casa onde vive a cadela adotada.
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30 de maio – A história teve grande repercussão, inclusive nas redes sociais, e muita gente demonstrou interesse em adotar o cachorro. Ativistas da defesa dos animais sugeriram que os vizinhos se unissem e cuidassem do animal.No mesmo dia, Xerife conseguiu escapar de um táxi-dog no Bairro Cidade Nova, Região Nordeste, quando era levado para uma clínica para ser castrado, a pedido de uma pessoa de Juiz de Fora, Zona da Mata, interessada em adotá-lo.
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Ontem – Xerife reapareceu no Prado, em frente à casa de Olívia. O cão percorreu mais de sete quilômetros  e acertou o caminho de volta. A dona de Olívia, Tatiana Azeredo, estuda a possibilidade de adotar o cachorro de rua.
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“Vamos ver se conseguimos ficar com os dois juntos”

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Tatiana Coutinho, moradora da casa de onde Xerife não desgruda

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Futuro de cão apaixonado vira assunto entre ativistas e internautas

Um dia depois de o EM mostrar romance de vira-lata que vive na rua e cadela adotada no prado, todos querem saber qual será o destino do animal. Adoção e guarda dividida são opções

Fotos: Beto Novaes/EM/D.A Press

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Quem vai ficar com Xerife, também chamado de Lord Voldemort? A pergunta passou de boca em boca nessa sexta-feira nas imediações de uma residência no Bairro Prado, Região Oeste de Belo Horizonte, onde, há mais de três meses, um cão de rua fica deitado no passeio, dia e noite, na esperança de ver sua “amada” Olívia Palito, que deu à luz, em 9 de maio, 10 filhotes do casal. Nem a chuva e o frio da manhã impediram a visita do esperto vira-lata – na quarta-feira, ele escapou da coleira de um agente de endemias do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura, que foi ao local capturá-lo após denúncias anônimas de que poderia atacar os pedestres (VEJA A HISTÓRIA DA FUGA ABAIXO).

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A história de amor no reino animal, publicada pelo Estado de Minas, teve grande repercussão nas redes sociais, com muita gente interessada em adotar o cachorro de pelo preto e olhos apaixonados. Ativistas da defesa dos animais sugerem que os vizinhos se unam e cuidem do bicho, dando vacina, alimento, vermífugo, casa e afeto, em vez de enviá-lo a um abrigo.
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A casa da Rua Turquesa, com grade marrom, virou atração logo cedo e chamou atenção de quem passava a pé, no volante ou indo para a escola de van. “Há muito tempo estou pedindo, pela internet, para adotarem esse cachorro. Ele não pode mais ficar desse jeito, sem dono, solto por aí. Sempre o vejo parado em frente ao portão”, disse a motorista Mônica, obrigada a acelerar o carro, quando o sinal da Avenida Francisco Sá abriu para os veículos. O mestre de obras Alaerte Alves Pereira, de 53 anos, reafirmou a intenção de levar o bicho, batizado por ele de Xerife, para sua casa em Ribeirão das Neves, na Grande BH, mas notou mudanças no comportamento do animal e está pensando duas vezes antes de agir.
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“Acho que ele ficou meio traumatizado com a tentativa de captura, por isso se afasta ao notar a minha presença. Gostaria muito de ficar com ele, e não descarto a possibilidade, mas agora estou preferindo um filhotinho. Xerife sempre foi dócil, não faz mal a ninguém”, comentou, ao ver a ninhada na varanda da casa sendo paparicada pela funcionária pública Tatiana de Azeredo Coutinho Ferreira e por sua mãe, a dentista aposentada Cleusa. Apaixonadas por animais, assim como toda a família, as duas moradoras deram ontem um dia especial a Xerife, que entrou na varanda de rabo em pé, cortejou Olívia Palito, saiu com ela para um passeio pelo bairro e, depois teve direito a almoço no mesmo prato, no melhor estilo A dama e o vagabundo, filme de animação dos estúdios Disney lançado há 60 anos. “É só oferecer um pouco de queijo que ele vem louco. É louco por queijo!”, disse Cleusa, com carinho. Dito e feito, e lá veio o cão com pinta de galã do pedaço.
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Tatiana esclarece que gostaria de ficar com o animal, mas não há a menor chance. É que na casa moram, além de Olívia Palito – “por ser magrinha ao chegar aqui, parecia a namorada do marinheiro Popeye”, recorda-se –  Kurt Cobain, de 11 anos, nome em homenagem ao guitarrista (1967-1994) da extinta banda Nirvana. O estranho triângulo se forma, pois Kurt é louco pela cadelinha de sangue nobre e viralata, embora a paixão nunca tenha se consumado. O problema é o cãozinho não ter altura suficiente para cruzar. “Nas vezes em que Lord Voldemort, como tratamos o Xerife, entrou aqui para beber água, mordeu o Kurt. Eles brigam muito”, contou Tatiana. Ao lado, Cleusa traduziu o sentimento mútuo: “Puro ciúme”. O nome Lord Voldemort é o do vilão da série Harry Potter, mas Xerife é tratado com todo carinho pela família.
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CUIDADO DIVIDIDO Há muitas sugestões para o destino de Xerife, que, até agora, só tem promessas de pretendentes à adoção, sem nada de concreto. A presidente da Associação Cão Viver, Marisa Catelli, propõe o sistema “cão comunitário”, no qual os vizinhos se unem para cuidar de um animal. “Os abrigos das organizações governamentais, os canis, enfim, todos os lugares que poderiam receber o cão estão superlotados”, afirma. “Os moradores podem se responsabilizar fazendo uma casinha na própria rua para o cachorro, além de dar vacina, vermífugos, cobertor para os dias frios, consultas no veterinário e providenciando a castração”, indicou.
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Ao ler a reportagem no EM e assistir ao vídeo no portal Uai, a psicóloga Débora Vaz, moradora do Bairro São Marcos, na Região Nordeste de BH, confessa que chorou. E é candidata a adotar Xerife. “Fiquei com muita pena dele, tão romântico…”, comentou ela, que acrescentou com bom humor: “Acho que estou assim, tão enternecida, pois vou me casar”. Na opinião da psicóloga, Xerife deveria ficar com a família que já tem Olívia Palito e Kur Cobain. “Mas entendo a impossibilidade, devido ao Kurt”.
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FESTA NA PORTA Por volta das 11h, Tatiana saiu com Olívia Palito com a guia, mas logo deixou a cachorrinha correr livre e solta ao lado do seu grande amor, Xerife. A parte conhecida da história dessa dupla começou pouco antes do carnaval, quando Tatiana acolheu em casa a fêmea, que, logo depois, no cio, escapuliu e voltou prenha. Não tardou muito para Xerife rondar a área e ficar de prontidão no portão da frente.
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Depois da refeição ao meio-dia, hora de lamber as crias, que Olívia Palito ainda está amamentado. Se alguém se aproxima, como fez o repórter, ela dá um “chega pra lá”, marcando a roupa do intruso com a pata suja de barro. Com a netinha Luiza, de 2 anos, no colo, a pedagoga Terezinha Passos, moradora do bairro, contemplou durante longos minutos a cena de Xerife, Olívia Palito e a prole se enroscando sobre uma almofada no chão da varanda.
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Feliz ao contemplar a família canina, a vendedora de loja infantil Aline de Abreu não escondeu a emoção: “A natureza nos surpreende. Esse sentimento é mais bonito do que o dos seres humanos, algo inexplicável”. Já a atendente de uma loja de pet shop da Avenida Francisco Sá, Tatiane Viana, contou que Xerife é muito esperto. “Ele andava com uma coleira antipulgas, mas não está mais com ela. Tentei pegá-lo para cuidar, mas ele se assustou e mordeu a minha mão”.

Fotos: Beto Novaes/EM/D.A Press

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Castração: a nova fuga de Xerife
Vira-latas mais famoso do Prado escapa de táxi-dog a caminho de pet shop. Cão, que já se livrou da carrocinha para voltar para a cadela Olívia, é procurado nos quatro cantos de BH

Olívia recebeu visitas e carinho durante todo o dia de ontem, mas seu olhar atento procurava por Xerife, que ainda não havia aparecido<br /><br /><br />
 (Alexandre Guszanche/EM/D.A Press)

Depois da primeira noite dormindo em família – com a amada Olívia Palito e seus 10 filhotes, Xerife desapareceu. O cão vira-lata, que há mais de três meses montou vigília na porta de uma residência na Rua Turquesa, no Bairro Prado, à espera de viver junto à cadela, foi acolhido pela funcionária pública Tatiana Azeredo Coutinho Ferreira, dona de Olívia, para estar de prontidão às 7h de ontem, quando seria levado por um táxi-dog. Ele seria encaminhado para adoção.
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Mas Xerife não chegou nem mesmo a conhecer o novo lar. Apanhado pelo táxi-dog na porta da casa onde Olívia mora desde fevereiro, para seguir a uma clínica no Bairro Cidade Nova, onde seria castrado, tomaria banho e faria teste de leishmaniose, o cão fugiu quando a motorista abriu a porta do veículo. A fuga impôs um novo capítulo à saga entre Xerife, também conhecido por Lord Voldemort (personagem de Harry Porter), e a cadela Olívia. Na casa da funcionária pública, a pergunta é: “Será realmente o destino do cão viver ao lado da ‘amada’?” A família ainda acredita que o vira-latas irá voltar e tenta achar uma solução para que os dois não mais se separem.
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O desafio, até então, era lidar com o triângulo amoroso entre o casal e o cão Kurt Cobain – cachorro de 11 anos que também mora na casa de Tatiana e “morre de ciúmes” do rival Xerife. Além do mais, com a ninhada de 10 filhotes, Tatiana não via condições de abrigar mais um animal em casa. A funcionária pública conta que foram várias as tentativas de conseguir um lar adotivo, sem sucesso. “O que ele queria mesmo era ficar aqui. Sempre fica batendo a patinha no portão, pedindo para a gente abrir e faz festa quando vê Olívia. Mas já temos muitos cães”, justifica.
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Agora, a angústia passou a ser outra. Na tarde de ontem, Tatiana e a mãe, a dentista aposentada Cleuza Azeredo Coutinho, de 69, tentavam imaginar onde estaria Xerife. “Para onde ele pode ter ido? Ele é um cão difícil, arredio. Quando a moça veio buscar, explicamos isso a ela. Agora, para voltar, vai ser difícil, porque vai ter que passar pelo Túnel (da Lagoinha) e pela Via Expressa”, conjecturou Cleuza. Pela manhã, Tatiana passou três horas percorrendo o Bairro Cidade Nova, na tentativa de encontrar Xerife, sem sucesso. “Vou voltar lá com Olívia, para ver se eles sentem o cheiro um do outro”, disse.
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Tatiana mora em Brasília e vem para Belo Horizonte nos fins de semana. Está decidida de que, na viagem de volta, vai levar Kurt para o Distrito Federal. Nas entrelinhas, dá a deixa para que a mãe adote Xerife e ponha fim ao sofrimento do vira-lata, que vive à espera de Olívia na grade marron da casa no Prado.
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FUGA Essa não foi a primeira vez que Xerife fugiu, depois de ser retirado da porta da casa de Olívia. No bairro, a história já é conhecida e muita gente tentou levar o cão pra casa, mas ele se recusa. “Uma vez, levei ele para vacinar e o veterinário contou que umas seis pessoas já levaram ele à cliníca, na tentativa de adotá-lo, mas ele sempre fugia”, lembrou Tatiana. Na quarta-feira, ele escapou da coleira de um agente de endemias do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura, que foi ao local capturá-lo, depois de denúncias anônimas de que poderia atacar os pedestres. Dona Cleuza não esconde o carinho que tem pelo animal, mas explica a dificuldade em ficar com o bicho, por questões de saúde. “Não estou muito bem. Esse tanto de cachorro dá muito trabalho. Vamos ver se ele vai voltar”, deixa o assunto no ar.
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As protetoras de animais que estavam intermediando a adoção de Xerife e os tratamentos na clínica no Bairro Cidade Nova também estão preocupadas com o futuro de Xerife. Uma delas, que preferiu não se identificar, disse temer pela situação em que o bicho se encontra. “No Prado, pelo menos, ele já conhecia o bairro, as pessoas. Agora está em um lugar estranho. Estamos angustiadas, porque não sabemos como e o quê ele está passando”, disse. As protetoras estão avaliando quais providências serão tomadas junto ao serviço de táxi-dog, contratado para buscar Xerife. “A motorista foi alertada de que ele era arisco e não se precaveu para evitar que ele fugisse. Foi uma irresponsabildiade”, avalia.

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Zoonoses só age com nova denúncia
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Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), o agente de endemias só retornará ao Bairro Prado se houver nova denúncia de agressão. Em nota, a direção do órgão informa que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) recolhe os animais em situação de rua por meio de ações de rotina e também via demanda espontânea da população. Ao chegar à unidade, os cães são avaliados clinicamente por médico veterinário e submetidos à coleta de sangue para exame de leishmaniose visceral, informam os técnicos, ficando aguardando por três dias úteis o resgate por seus proprietários. Expirado o prazo, os animais se tornam disponíveis para adoção, após serem castrados, vacinados contra raiva e outras doenças, vermifugados e identificados com microchip e com resultado negativo para leishmaniose visceral. De acordo com o censo canino realizado em 2014, BH tem aproximadamente 283 mil cães e 64 mil gatos. Desse total, cerca de 10% têm acesso às ruas sem supervisão.

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Discussão na Web
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Comentários de leitores e internautas nas redes sociais
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Que lindo! Ele precisa de um lar e ser castrado, afinal não dá pra deixar cachorrinhos abandonados. Estes estão bem, mas outros… vai saber.
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Aline Vieira 
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Próximo capítulo? Se a zoonoses pegou, já era!
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Raquel Colares
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Excelente, em meio a tanta notícia de desastre, corrupção e outras coisas ruins, os leitores precisam de algo bom assim. Espero e torço que algum vizinho adote o xerife.
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João
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Em janeiro, ao chegar em casa do trabalho, fui atacado por dois cães de rua, morderam minha perna e por sorte passava um carro que atropelou os dois e me salvou. Minha esposa tinha acabado de chegar com meu filho de 3 anos. Imagina se fosse com eles? Na verdade, esses cães de rua, são, sim,  perigo para população. 
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Marcos
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E cadê o Xerife? Ele realmente fugiu? Eu adoto ele. E a história foi muito legal..
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Eduardo
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Muito legal. Só aparece coisa ruim e a gente fica surpreso com uma história dessa. Tomara que essa família adote o Lord também.
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Wesley

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FONTE: Estado de Minas.



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